28/Xuño/2008
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1. Gerardinho2000 | 30/Xuño/2008 at 8:23
Tudo isto tem muitas explicações, Alema.
Javali, como todas as palavras de uso frequente, tem muitas formas dialectais, entre elas “javarim” e “javaril”. Curiosamente nestes duas dá-se a mesma dicotomia que entre “ril” e “rim” (um órgão do corpo humano que filtra impurezas
). Por certo, resulta curioso que a etimologista RAG prime a forma “ril” pola etimológica “rim” (do latim ‘renes’ :p). Antilusismo e aldeanismo pouco dissimulados sob pretextos pseudo-científicos :p
“Prós” e “pra” e outras contracções são aceites… mas para usos literários. A fim de contas, em termos métricos não é o mesmo escrever “para os” (três sílabas) do que “prós” (uma só). É um uso que também vemos em TODA a Lusofonia (Portugal, Brasil, Cabo Verde…). Acontece o mesmo com “co’a” (em gal-ILG-o, “coa”), que vemos sobretudo em canções populares, como a celebérrima As sete mulheres do Minho («[...]mulheres de grande valor / armadas de fuso e roca / correram c’o regedor [...] Viva a Maria da Fonte / co’as pistolas na mão [...]»).
Por outra parte, é lógico (ou seria) que a RAG aceite “água”, a fim de contas é a forma ETIMOLÓGICA (latim “aqua”), ULTRAMAIORITÁRIA na lusofonia, própria de TODO o galego ocidental e com grande presença toponímica (Entre-ambas-Águas, por exemplo, “Entrambasaguas” em galego-”xunteiro”).
E o de “xove”… pseudogaleguização do “jovem” de toda a vida, fazendo-lhe perder um -m etimológico como em “mensagem” > * “mensaxe”. Pois ala, a “jovem” > * “xove” e tão campantes! É certo que as formas “novo” e “moço” (segundo os casos) são maioritárias, mas não é menos certo que “jovem”, como termo procedente do latim, viva em todas as línguas latinas e com derivados ao uso como “juvenil” ou “juventude” (formas estas aceites, por muito que prolifere a forma “mocidade”).
E do resto, mais caralhadas do estilo RAG, pondo dialectalismos e vulgarismos ao mesmo nível de palavras comuns à Lusofonia.
Enfim, para mim isto são mais argumentos para se volver reintegrata… ou passar para uma língua codificada de jeito mais sério, como é o castelhano
2. alema | 30/Xuño/2008 at 11:02
collendo a túa última frase, gerardinho…
a norma AGAL non é unha codificación pouco seria? (os lusistas dela din que é ‘portunhol 2′…)
hei de dicir, de todos os xeitos, que non concordo con este amplo e confuso abano de posibilidades que por veces nos ofrece a RAG
3. Gerardinho2000 | 30/Xuño/2008 at 17:51
Homem, entendo “séria” como coerente. Desde logo é muito mais coerente, na minha modesta opinião, do que a proposta ILG/RAG. A AGAL defende abertamente uma linha de aproximação com a variante internacional do galego, mas ao tempo defende a preservação dos particularismos galegos.
Neste sentido, muito se tem debatido no entorno da instituição sobre até que ponto esses particularismos podem ser acolhidos na actual norma internacional e quais precisariam de um tratamento diferenciado. A partir daí, feitas as propostas, as escolhas são cousa de cada quem.
Em resumo, acho que com a AGAL se pode concordar ou discrepar das soluções propostas, mas todas vão no mesmo caminho: exibir o galego como parte do diassistema luso-afro-brasileiro-etc., e preservar as particularidades da nossa modalidade regional de galego-português (igual que fazem, por exemplo, os brasileiros com a sua).
Dito isto, haverá quem pense que a terminação “-om” pode colher graficamente sob o “-ão” (e haverá quem não o ache assim) ou que a forma “umha” bem podia grafar-se igualmente como “uma” (a fim de contas, “uma” teve múltiplas grafias na nossa língua e regista muitas pronúncias diversas hoje em dia), e assim por diante. Mas ninguém poderá acusar a AGAL de primar deliberadamente umas formas ou outras para se distanciar do português… ou da(s) variante(s) galaica do galego-português (aí muito se auto-enganam os anti-lusistas).
Em termos linguísticos, filológicos, a AGAL propõe uma norma que afasta mais o “galego” do “português” do que faz a norma blavera afastando o “valenciano” do “catalão”. Muito mais. Porém, a AGAL propugna que se trata do mesmo idioma (com duas ou até três grafias diferentes), enquanto os blavers dizem que são idiomas distintos e que o catalão é um idioma “estrangeiro” (critérios políticos, não linguísticos, pois).
Na história da filologia galega temos visto, para desgraça da nossa língua, como se têm primado os critérios políticos sobre os científicos. A necessidade de construir a “NACIÓN” (galega) acabou atopando aliados entre os defensores da necessidade de preservar a “NACIÓN” (castelhano-espanhola), en detrimento dos que primeiro defendiam a “NAZÓN” (galega), logo a “NAÇÓM” (também galega), mais adiante a “NAÇOM” e actualmente, em muitos sectores, a “NAÇÃO” (novamente, galega).
Para confirmar a validez deste argumento baste com observar a militância política (nacional galega ou nacional espanhola) de insignes membros da Real Academia Galega das décadas de ‘70 e ‘80, entre as quais um que acabou sendo delegado do Governo (espanhol) na Galiza.
E como diria Aznar, “vaya rollo que he soltao“.
4. alema | 30/Xuño/2008 at 19:25
só unhas cantas cousas…:
- cando os españolistas nos chaman ‘rexión’ escandalizámonos, se falamos de lingua galego-portuguesa… somos unha rexión e aquí ninguén se alporiza.
- os particularismos galegos acabarían diluíndose tamén cunha integración no sistema lingüístico portugués, simplemente porque non os absorbería… nós asumiriamos pero eles non asumirían nada ou case nada (polo tanto, non paga a pena o troco).
- non se pode comparar galego e portugués con catalán e valenciano porque son realidades bastante diferentes
- no momento no que paras a observar a militancia política de insignes membros da RAG, caes na trampa de mesturar política e lingua. e logo a maioría dos que están en AGAL son ‘hermanitas de la caridá’ sen ningunha militancia política?
5. Gerardinho2000 | 30/Xuño/2008 at 22:24
- com regional falei da Galiza e também do Brasil, note-se
ademais, também a criação de um padrão galego (p.e., o ILG/RAG) levará à progressiva redução das características singulares do galego de muitas regiões
- a diluição dos “particularismos” será cousa dos falantes… polo de agora só se diluem sem problemas no castelhano
- galego-português e catalão-valenciano são realidades bastante diferentes? como todas, mas dos casos nos quais podemos comparar é o mais próximo (geograficamente) que temos
- não falo da AGAL de agora, falo da AGAL da década de ‘80 (ou seja, a da primeira época), que nasceu em parte como reacção a que a RAG primou critérios políticos acima dos científicos (p.e., aprovando a norma isolacionista sem a presença dos académicos reintegracionistas, como Carvalho Calero)
Na AGAL de hoje, como na RAG de hoje, há militância política de muito diversos signos, e acho que hoje (mais do que daquela) está mais clara a separação política da linguística. Mais que nada, porque a política, em muitos casos até é afim (sobretudo a da AGAL e do ILG).
6. Gerardinho2000 | 30/Xuño/2008 at 22:25
Por certo, acho que é bom matizar: quando falo da militância da RAG, ILG, AGAL, cometo o imperdoável erro de, ao generalizar, inçar as siglas de conotações que apenas pertencem aos seus membros individuais. É claro que o ILG “não milita”, como tampouco a RAG ou a AGAL, somente os seus membros.
Pode parecer uma apreciação banal, mas nos tempos de hoje mais vale previr do que lamentar.